Geralmente quando termino de ler algum livro, mesmo que eu não o tenha entendido, procuro escrever primeiramente as minhas impressões e somente depois buscar outras resenhas para tirar mais ou menos conclusões melhores sobre o que eu li, ou saber se existe algum outro angulo da história que eu não tenha absorvido. Esse livro é uma exceção. Assim como o li em apenas um dia, no instante em que cheguei ao ponto final, corri para o tio Googs para tentar entender um pouco do que havia acabado de ler, mal tive tempo de refletir ou pensar sobre, realmente ficou uma enorme confusão na minha cabeça. Mas foi bom, porque realmente tudo o que senti, a maioria dos que leram também sentiram. É um livro curto, escrito exatamente para te prender do inicio ao fim, cheio de questões que realmente nos faz refletir. E chegamos aqui a velha história, não vi a sinopse nem nada, apenas pelo titulo resolvi ler. Mais uma vez fui surpreendida, a principio parecia que o rumo da história era realmente o que eu havia pensado, mas por fim era algo muito mais profundo e que estava sendo mostrado desde o inicio.O livro é contado pela perspectiva de uma garota que namora um cara chamado Jake, eles estão em uma viagem de carro rumo a fazenda dos pais dele, é a primeira vez que ela vai lá. Então começam vários questionamentos na cabeça dela: se o relacionamento deles é real, se vai ser algo duradouro, como saber que quer uma determinada pessoa pelo resto da sua vida? Como saber se vai conseguir conviver com suas manias e seu jeito? Durante o tempo inteiro observamos várias vezes em que simplesmente a personagem quer acabar com tudo, mas acaba deixando para depois, porque a realidade do que vai acabar de verdade não é apenas um relacionamento, é muito mais que isso. O livro passa por dois momentos, um da viagem e outro com uma conversa entre duas pessoas, após um corpo ter sido encontrado. É um terror psicológico que te prende do inicio ao fim, meio parado de inicio e depois parece que você se perde na história, parece que deixou algo passar, que não prestou atenção, mas é aquilo, é exatamente aquilo mesmo que você está lendo. É um livro difícil de interpretar, cheio de frases com coisas ditas e não ditas, que misturam o real e o que não conseguimos entender.
Não sei como definir se é bom ou ruim, se definitivamente gostei ou não, mas é um livro muito inteligente, desde como a história é construída, até como ela termina. Como disse, li outras resenhas e cada pessoa teve uma impressão e uma interpretação diferente desse livro, esquizofrenia? solidão? depressão?. Ele realmente pode ser algo diferente, dependendo quem o lê, e é por isso que na minha opinião ele pode até se tornar genial.
Livro: Eu estou pensando em acabar com tudo.
Escritor(a): Iain Reid
Editora: Fábrica 231.
"... A memória é única cada vez que é lembrada. Não é absoluta. Histórias baseadas em fatos reais normalmente têm mais a ver com ficção do que com fatos. Tanto ficção quanto quanto memórias são relembradas e recontadas. Ambas são formas de histórias. Histórias são a forma como aprendemos. Histórias são como entendemos uns aos outros. Mas a realidade acontece apenas uma vez..." - Pág 32.
